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Ponte Cultural Amapá-Guiana Francesa reúne artistas da Amazônia na cidade de Caiena

Foto: Renan Liétar

 

Um encontro de identidade regional e ritmos que carregam a nossa ancestralidade africana aconteceu no mês de agosto, em Caiena, entrelaçando mais ainda a linguagem cultural que une o Brasil a essa porção da Europa na América do Sul. O projeto “Ponte Cultural Amapá – Guiana Francesa” reuniu os brasileiros Patrícia Bastos, Nilson Chaves, Enrico Di Miceli e Dante Ozzetti, e a flautista guianense Michaëlle Ngo Yamb Ngan no palco do Complexo Eldorado, no último sábado, 3, em uma exaltação da música da região amazônica. Os produtores Clicia Vieira Di Miceli e Lívio de Sá foram os responsáveis pela construção desse encontro, que aproximou mais ainda essa rica fronteira musical.

 

 

Em comum, os artistas deste espetáculo têm a intimidade com os sons e a poesia da Amazônia, e o tom que encanta e dialoga com pessoas de todo o planeta,  universalizando os ritmos e aproximando cada vez mais o kasékò e o zouk do marabaixo e batuque. Intimista  em formato voz e violão e arranjos, o show teve a direção musical de Dante Ozzetti, que também se dividiu entre a guitarra e o violão, Nilson Chaves e Enrico Di Miceli, na no violão e voz, e Patrícia  Bastos como intérprete.

 

 

Nas relações que existem entre o Amapá e a Guiana Francesa, a cultural é a mais promissora. Unidos pelo rio Oiapoque, estamos ligados via terrestre pela ponte Binacional, mas com acesso dificultado por burocracias, e a música é o elo que ultrapassa as barreiras e une definitivamente os dois lados, que dialogam através dessa musicalidade irmanada, que se tornou a linguagem de entendimento das fronteiras.

 

 

 

O efeito destes contatos é o intercâmbio de culturas, hoje intensificado com o vai-e-vem de artistas, como o que aconteceu no Complexo Eldorado, que fez do paulista Dante Ozzetti, do paraense Nilson Chaves e dos amapaenses Enrico Di Miceli e Patrícia Bastos, naquele momento, representantes desta fronteira viva que se dilata e se firma como grande cena musical no norte da América do Sul.

 

Foto: Ronan Liétar

 

Os tradutores musicais da aventura na fronteira Amapá-Guiana

 

 

 

A mistura dos tambores e a magia dos ritmos guianenses e caribenhos influenciaram o compositor e violinista Dante Ozzetti a produzir o “Amazônia Órbita”. Embalado por esta fusão gostosa de ritmos amazônicos com uma pitada de Caribe, Dante produziu dois discos de Patrícia Bastos em que a força dos sons dos tambores e ritmos amazônicos, africanos e caribenhos dão o tom, e “Zulusa” e “Batom Bacaba” conquistaram o público, e receberam indicações para premiações nacionais e internacional. Patrícia, a Caboca, é a voz que canta com suavidade e firmeza os costumes e tradições regionais para outros extremos além Amapá. Seus discos são obras que inspiram à mato, rio, igarapés, ribeirinho, negros e índios, e este ambiente é transportado para quem a escuta.

 

 

 

Nilson Chaves é também um artista que aproxima as nações. O disco “Amazônia Brasileira” foi apresentado para a Europa, a América Latina brilhou os olhos para o paraense, que foi indicado para o Grammy Latino em 2000, e sua música chegou até Martinica, Japão, França e Alemanha. O amazônida Enrico Di Miceli é um eco das caixas, pandeirões, amassadores e dobradores das rodas de marabaixo e batuque, e dos cantos de nossas aldeias. Após três décadas de música, ele lançará  seu primeiro trabalho solo, “Todo Música”, com  ricas melodias  que traduzem para qualquer idioma o norte do Brasil.

 

 

 

Além de Patrícia, Enrico, Nilson, e Dante, Negro de Nós, Fineias Nelutty, Oneide Bastos e Zé Miguel, e outros artistas já “embarcaram para Caiena”, no bom sentido do ditado tucuju, e atravessaram a fronteira, seguindo os passos de pioneiros como Jomasan. Esta proximidade cultural e geográfica e a fronteira como território de trocas, foi tratado recentemente na pesquisa de mestrado da produtora e também geógrafa Clicia Vieira Di Miceli, no documentário “InterAMAZÔNIAS – Uma Fronteira Musical”, que retrata a riqueza desta herança cultural de tambor e da identidade musical amazônica vivida nessa fronteira entre Amapá e Guiana Francesa.

 

 

 

No projeto “Ponte Cultural Amapá – Guiana Francesa”, o público viu a consagração do intercâmbio de culturas e os clássicos do cancioneiro amazônico conquistaram o público no Complexo Eldorado. O encontro escancarou o acesso a essa ponte que cada vez mais viva, nos convida a embarcar nessa via e seus vai e vens musicais.

 

 

 

Mariléia Maciel – Jornalista

 

Assessoria de Comunicação

Redação Lado B

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